“Para impedir que eu me exaltasse por causa da grandeza dessas revelações, foi-me dado um espinho na carne, um mensageiro de Satanás, para me atormentar. Três vezes orei ao Senhor que o tirasse de mim. Mas ele me disse: ‘Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza’. Portanto, eu me gloriarei ainda mais alegremente em minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse em mim.” - 2 Coríntios 12. 7 – 9
“Engraçado” como as pessoas estão agindo hoje em dia. Quer dizer... “como é triste a forma com que estão agindo!”. Você já parou para prestar atenção nesse trecho da carta de Paulo aos coríntios? Leia-o de novo e preste bastante atenção.
Já leu? Agora vamos pensar um pouco. Nesse trecho, vemos Paulo dizer que, Deus permitiu que ele fosse perseguido, que sofresse com algo que ele chamou de “espinho na carne”. Paulo orou três vezes pedindo ao Senhor para tirar esse espinho de sua vida, mas, a resposta do Senhor foi: “Minha graça te basta... Minha graça é suficiente pra você... Minha graça é tudo que você precisa, POIS, o Meu poder, se aperfeiçoa na fraqueza.”

Reparou? Há uma “reação” aqui. Para o poder de Deus se aperfeiçoar em alguém, é necessário que esse alguém reconheça que está fraco, que tem uma fraqueza e que precisa de ajuda, precisa de uma “força” que não é a dele mesmo. A nossa fraqueza é a “matéria prima” que Deus usa para aperfeiçoar o Seu poder em nós. Assim como não dá para fabricar o papel sem sua matéria prima, as árvores, não há poder de Deus sem nossas fraquezas.
Mas, espero que não tenha se esquecido do comentário inicial desse texto, pois, é exatamente nesse ponto que tudo se encaixa. A “triste forma com que as pessoas estão agindo” é que, a grande maioria não quer saber dessa verdade – que somos fracos e precisamos reconhecer que só podemos, só alcançaremos algo, se for pela força e pela graça do Senhor e não por nossos próprios méritos.

Hoje em dia, uma grande parte dos que se dizem “cristãos” estão mais preocupados com as bênçãos que querem receber do que com abenção que podem ser nas mãos de Deus – que na verdade é o único motivo de terem sido criados: para serem bênçãos na vida de outros e não para serem as “sanguessugas” que Salomão descreveu em Provérbios 30.15, só sabem estar diante do Senhor para dizer “me dá isso, me dá aquilo”. Até algumas músicas que cantamos nos cultos estão deixando de “adorar a Deus” para “adorar a benção”. Mas, o que precisamos prestar atenção é que, ser um Verdadeiro Discípulo de Jesus, não é “saber seus direitos de filho ou reivindicar suas bênçãos”, isso vem como consequência da obediência e não “simplesmente ‘achar’ que sabemos manipular a Deus com argumentos e versículos”.
Ser um verdadeiro discípulo, como acabamos de ver no exemplo de Paulo, não é “nunca mais ter dificuldades”, muito pelo contrário. Paulo assumiu ter uma fraqueza que o incomodava muito e Deus se recusou a tirá-la dele. Você lembra por quê? Porque a fraqueza é “matéria prima” para que o Poder de Deus se aperfeiçoe em nós. Deus disse a ele que “a Graça Dele era tudo que Paulo precisava” e era isso que Paulo teria o bastante para ele mesmo, usando da graça e da força Deus, lutar e vencer esse tal “espinho na carne”. E, não é diferente conosco. Temos fraquezas SIM e Deus não vai tirá-las de nós – pois não foi Ele quem as colocou aqui, afinal, como a Bíblia diz “cada um é tentado segundo a própria maldade de SEU coração” (Tg 1.14), Deus não tenta ninguém. Mas, Ele nos fortalece na nossa fraqueza, SE o buscarmos, pois é o fato de CONHECER A VERDADE que nos liberta e não uma oração que alguém fez (João 8.32), orar ajuda momentaneamente, mas, não resolve o problema. A solução é conhecer a verdade. E é aqui que começamos a entender as Parábolas que Jesus mencionou em Lucas 14. 25 – 33.

“Se não for assim, não serve para ser Meu Discípulo”
Havia uma grande multidão seguindo Jesus, Ele não “revolveu” bajular ou preparar uma bela pregação sobre bênçãos para “segurar” ou atrair mais seguidores para Ele. Jesus não estava interessado em quantidade de discípulos, Ele queria – e ainda quer – qualidade em cada um deles. Ele começou a ensinar dizendo:
"Se alguém vem a mim e ama o seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos e irmãs, e até sua própria vida mais do que a mim, não serve para ser meu discípulo.” (Lucas 14.26)

Devemos honrar e amar SIM a nossa família, mas, o amor a Deus deve estar acima de todas essas coisas. Um exemplo bem radical, mas que ajuda a entender é, se alguém coloca uma arma na cabeça da sua mãe e lhe diz: ‘nega Jesus ou ela morre’, vai ser difícil, mas, ela vai precisar morrer. Entende? Se não for assim, não servimos para sermos discípulos do Senhor e, só há um lugar reservado para os não são e sabemos muito bem qual é.
Cadê a “sanguessuga”?
“E aquele que não carrega sua cruz e não me segue não serve para ser meu discípulo.” (Lucas 14.27)

Esse versículo nos deixa ainda mais claro o que Paulo disse. “Deus não é um motoboy que entrega nossos pedidos” (rsrs). Teremos dificuldades sim, teremos tentações sim, iremos desejar coisas que não agradam a Deus sim, MAS, precisamos nos fortalecer na Palavra, na Verdade que nos liberta de todas essas coisas para então, finalmente, conseguirmos dizer “não” a cada uma delas e negarmos a nós mesmos, negarmos tudo aquilo que há em nós, mas que nos afasta de Deus. Isso é tomar a nossa cruz e seguir a Cristo. (Não cortamos ou abandonamos nossa cruz, apenas "aprendemos a usar a Força de Deus para carrega-la".
Quem precisa de “engenheiros ou arquitetos”?
"Qual de vocês, se quiser construir uma torre, primeiro não se assenta e calcula o preço, para ver se tem dinheiro suficiente para completá-la?
Pois, se lançar o alicerce e não for capaz de terminá-la, todos os que a virem rirão dele, dizendo: ‘Este homem começou a construir e não foi capaz de terminar’.” (Lucas 14.28 – 30)
Intrigante! Nessa parábola, Jesus diz que devemos “pensar e planejar”, ponderar se iremos segui-lo ou não. Dá pra imaginar isso? Na verdade, o que Ele está querendo dizer é que, da mesma forma que ninguém acorda pela manhã e diz “hoje vou explodir minha casa e construir sozinho um grande prédio”. Para isso, é preciso engenheiros, arquitetos e outros profissionais que dirão como deve ser feito para que o prédio não venha cair ou para que não corra o risco de “acabar o dinheiro, mas, não acabar a obra”. É necessário planejamento e, da mesma forma, precisamos “planejar” a vida cristã.

Por mais incrível e estranho que pareça, virou “moda” ser cristão em nosso país. Muitos artista, músicos, apresentadores se dizem cristãos, mas, a conduta continua vergonhosa. Nada mudou. Precisamos planejar, se estamos realmente prontos, dispostos, a abandonar certas práticas por amor a Cristo antes de sair por ai batendo no peito e dizendo que é cristão enquanto, na verdade, suas atitudes não mostram isso. Quando Jesus chamou a Pedro, ouve uma escolha, Pedro teve que “ponderar”, para seguir a Jesus, ele teve que escolher deixar a vida de pescador para se tornar “pescador de homens” (Mc 1.17). Da mesma forma, precisamos decidir se iremos seguir a Jesus com disposição para ir até o fim (custe o que custar) ou se vamos continuar nossa vida “medíocre” nessa terra, fazendo apenas a nossa vontade.
A sabedoria e a humildade andam de mãos dadas
"Ou, qual é o rei que, pretendendo sair à guerra contra outro rei, primeiro não se assenta e pensa se com dez mil homens é capaz de enfrentar aquele que vem contra ele com vinte mil? Se não for capaz, enviará uma delegação, enquanto o outro ainda está longe, e pedirá um acordo de paz.” (Lucas 14.31 – 32)
É sábio reconhecer a fraqueza e render-se ao mais forte e, em nosso caso, o mais forte é Cristo. Devemos nos render a Ele. Todos sabemos que, embora não seja impossível, é bem difícil, um exército de 20 mil perder para um de 10 mil soldados. Podemos pensar nisso da seguinte maneira. Quando escolhemos fazer à nossa maneira, além de enfrentar o exército inimigo – que aqui, representam as dificuldades da vida e do mundo – teremos, também, que enfrentar as dificuldades que nossas limitações e maus desejos, tentações, provocam para nós mesmos, ou seja, já estamos diante de dois grandes exércitos e, sozinhos, a derrota é certa! Mas, se confiarmos no Senhor, se pararmos para pensar no que nos une a Deus, no “porque” decidimos estar com Ele e nos entregar VERDADEIRAMENTE e Ele, então poderemos dizer como o Salmista disse: “Mil poderão cair ao teu lado, e dez mil à tua direita; mas tu não serás atingido.” (Sl. 91.7)

Jesus encerra as parábolas dizendo: “Da mesma forma, qualquer de vocês que não renunciar a tudo o que possui não pode ser meu discípulo.” (Lucas 14.33), Ele diz isso para concluir tudo que ensinou. E, se relembrarmos tudo que Ele disse, ficaria mais ou menos assim:
- Se nós não renunciarmos o amor possuímos por nossa família e por outras pessoas e amarmos a Deus em primeiro lugar, não servimos para sermos Discípulos de Jesus.
- Se não renunciarmos o amor que temos pelas coisas da carne e deste mundo e não carregarmos nossa cruz e só buscarmos as bênçãos de Deus, também não servimos para Ele.
- Se não renunciarmos o comodismo, mesmo que possamos dizer para todo mundo que “somos cristãos” quando, na verdade não praticamos o que a Bíblia diz, continuamos não servindo para Ele.
- E, por fim, se não formos humildes e nos esvaziarmos de todo orgulho para reconhecermos nossas fraqueza e buscarmos depender de Deus, nunca serviremos para ser discípulos dEle.
Isso é renunciar tudo que temos!
Parada pra pensar:
Se Jesus estivesse conversando com você agora, sentado à sombra de uma árvore, e Ele mesmo tivesse te explicado cada uma dessas coisas, o que você teria a dizer a Ele? Será que Ele veria em você um verdadeiro discípulo?
Ou será que estamos amando muito mais “qualquer outra coisa” do que estamos amando o Senhor? Será que, em nossa vida, não existem muitas outras coisas que preferimos e escolhemos fazer, dizer e viver do que as coisas que Deus já nos ensinou que devemos fazer, dizer e como devemos vive-las em primeiro lugar? Muitas vezes damos a “desculpa” de que “é difícil d+” mas, queee booom que você reconheceu que é difícil para você. Esse é o primeiro passo, lembra? Reconhecer a fraqueza, mas, não deixe isso dominar você. O passo seguinte é buscar a Verdade, buscar a força em Deus para vencer e não se dar por vencido.
Pare e pense em sua vida. Escreva as coisas que estão te atrapalhando a conhecer mais de Deus e apenas ore e busque na Bíblia, versículos em que Deus fale sobre aquilo. E, o mais importante, nunca se esqueça que“quem tem um ‘porque’, enfrenta qualquer ‘como’”. Pense no “porque” você escolheu servir a Deus, e isso será o combustível que ira alimentar a sua fé e a sua vontade para lutar contra qualquer “como”, contra qualquer dificuldade que se levantar contra você.
Confesse suas fraquezas a Deus e declare sua dependência total dEle para superar cada uma delas.
Espero que tenha te edificado, assim como o Senhor me edificou ao falar comigo sobre essas coisas =)
E lembre-se sempre disso: